29 de outubro de 2011


o assombro*


Ne vous exercez pas aux Lettres si, avec une âme obscure, vous êtes hantés par la clarté. Vous ne laisserez après vous que des soupirs intelligibles, pauvres bribes de votre refus d'être vous-même. (E.M. Cioran)


por outro lado, gosto da expressão "arrepiar caminho". é coisa que por aqui se faz. muito. olha-se adiante. o corpo balançado. peito à frente, ombros atrás.
e toca a arrepiar caminho, que há conforto na terra já pisada.

6 comentários:

© Maria Manuel disse...

sim, «há conforto na terra pisada» e os tempos estão de poucas aventuras.

mas reflectindo sobre esta citação (não entendo lá muito bem franc~es mas penso que a compreendi):
sermos nós mesmos significaria sermos «terra pisada» e terra por pisar.

beijo.

sofia disse...

"If the difference between Man and animal lies in the fact that animal can only be animal whereas man can also be not-man - that is, something other than himself-then I am not-man."
E.M. Cioran, "Not to be a man anymore" in Heights of Despair

clAud disse...

maria, suponho que sim, que poderá significar algo como isso.

às vezes, neste exercício de ser eu mesma, não sei o que é mais assombroso, se a terra pisada, se a por pisar. ;)

clAud disse...

sofia, fui um bocadinho atrás, aliás, imediatamente antes dessa frase:
"Let me live the life of every species, wildly and unself-consciously, let me try out the entire spectrum of nature, let me change gracefully, discreetly, as if it were the most natural procedure. How I would search the nests and caves, wander the deserted mountains and the sea, the hills and the plains! Only a cosmic adventure of this kind, a series of metamorphoses in the plant and animal realms, would reawaken in me the desire to become Man again."

eu tenho cá para mim que, a um determinado nível (enfim, seja fantasiada percepcionada ou induzida), a aventura cósmica é possível.


[on a gloomier note, detenho-me na ideia de ser "homen" ou "não-homen", que ali se oferece como escolha, certo?, e ocorre-me, vá se lá saber, um poeminha da infância*, o livre arbítrio de gedeão e a fatalidade de que não se pode fugir. entre uma e outra coisa, não poder escolher senão entre uma fatalidade ou outra "igualmente fatal".


*não sei que idade tinha, mas lembro-me de umas folhinhas soltas, com uns 4 poemas do a.g. (que vinham à laia de tributo ou coisa parecida com jornal do meu pai), entre eles aquele livre arbítrio. era muito miúda, acho que era muito miúda, porque lembro que ao relê-lo uma segunda vez consecutiva pensei que era como quando começamos a brincar com fósforos e não podemos deixar de olhar para a chama até que nos queima os dedos. que é como quem diz, fiquei um bocadinho chamuscada. 8)]

© Maria Manuel disse...

apenas para deixar um beijo com votos de Boas festas e um Bom Ano Novo.

© Maria Manuel Rocha disse...

Caros amigos.
Gostava de vos agradecer as vossas sempre gentis partilhas de poemas, tão belos e intensos.
E gostava de agradecer a todos os que, durante estes anos (quase a fazer 4) me visitaram, leram, gostaram ou não, comentaram, deixando palavras de apreço, bastante estimulantes para mim.
Mas, nesta fase da vida, sinto indisponibilidade várias não me permitem repartir-me por várias tarefas. E não tenho conseguido ler, visitar-vos nos vossas espaços da palavra (que saudade de vos ler!)
de vez em quando,.
Não digo «adeus», até porque de vez em quando ainda venho aqui, deixar um “post”, mas com muito menos assiduidade.
Então, digo “até já! E deixo um abraço poético,
Maria Manuel